Beth Koike
Agora com o Bradesco, operadora de plano de saúde odontológico deve suspender rotina de aquisições.
Depois de se associar à Bradesco Dental em setembro, a OdontoPrev quer organizar a casa e iniciar uma nova etapa de negócios em 2010. A operadora paulista deixa para trás a sede de aquisições que era sua marca registrada e agora está focando na consolidação da companhia, que fechou 2009 com lucro líquido de R$ 59 milhões, alta de 7% em relação a 2008.
O ano de 2010 é visto como favorável para a operadora por vários fatores. Além de um cenário econômico estável, a OdontoPrev começa a colher resultados das últimas cinco aquisições realizadas entre 2008 e 2009. "Uma aquisição leva cerca de dois anos para atingir uma margem interessante de rentabilidade. Até então, essas compras estavam influenciando negativamente nossa margem", explicou José Roberto Pacheco, diretor de Relações com Investidores da OdontoPrev. O balanço de 2009 mostra uma queda na margem do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) ajustado para 21,2%, ante os 23,9% verificados em 2008.
A guerra de preços que a OdontoPrev travava com a Bradesco e foi encerrada com a associação das duas operadoras também deve contribuir para a retomada da rentabilidade. A companhia encerrou o ano com tíquete médio (valor das mensalidades dos planos) de R$ 12,8 - o que representa uma alta de 6% sobre o valor cobrado em 2008.
A receita operacional líquida, que aumentou 19,2% em 2009, atingindo R$ 379 milhoes, deve ser beneficiada com a adoção de uma nova estratégia de vendas dos planos nas agências bancárias do Bradesco. Neste primeiro trimestre, as agências do Bradesco começam a oferecer os planos da OdontoPrev e da Bradesco Dental aos clientes corporativos do banco. Segundo a companhia, não há projetos, até o momento, de fundir as duas marcas.
Até março, a OdontoPrev também inicia a comercialização de seus planos no México. Em junho, a operadora brasileira fez uma joint venture com o grupo mexicano Yke, que atua no segmento de assistência e seguros. "A Yke tem 15 milhões de clientes no México e a área de odontologia lá é pouco explorada", disse Pacheco. Ainda segundo o executivo, o banco Ibi no México, adquirido pelo Bradesco, também será mais um canal de vendas.
A taxa de sinistralidade - a vilã para o setor no ano passado, uma vez que as pessoas usaram muito mais os planos com medo de perder o benefício com a onda de desemprego - não deve se repetir em 2010. A operadora registrou no ano passado uma sinistralidade de 45,3%, contra 44,3% em 2008.
Nesse balanço, a OdontoPrev ainda não contabilizou os resultados financeiros da Bradesco, o que deve acontecer no próximo balanço. Mas já incluiu o número de beneficiários da Bradesco Dental no seu relatório. Com isso, o número total de clientes atingiu 4,1 milhões de vidas, sendo que a Bradesco responde por 1,4 milhão do total. A Bradesco Dental fechou 2009 com lucro de R$ 33,8 milhões, contra R$ 18,4 milhões de 2008.
Outra novidade na OdontoPrev é o aumento para 50% no percentual de distribuição de dividendos aos acionistas, que já consta no estatuto da companhia. Na terça-feira, os acionistas receberam R$ 72 milhões e até junho serão pagos outros R$ 362 milhões em dividendos.